Vale reverte prejuízo com lucro líquido de R$ 984 milhões no 1º trimestre de 2020

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No mesmo período de 2019, mineradora tinha perda de R$ 6,4 bilhões, ocasionada pela tragédia de Brumadinho; empresa apontou que tem registrado ‘efeitos limitados’ do coronavírus

Mariana Durão e Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2020 | 22h44

RIO – A Vale registrou lucro líquido de R$ 984 milhões no primeiro trimestre de 2020, revertendo um prejuízo de R$ 6,4 bilhões do mesmo período de 2019, quando seu resultado foi afetado pelo desastre com a barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). Sem esses efeitos, a empresa apresentou melhora relativa no resultado neste início de ano.

No balanço divulgado ao mercado na noite desta terça-feira, 28, a mineradora frisa que tem registrado efeitos limitados da crise do novo coronavírus em sua operação.

“Nós desenvolvemos um plano de resposta à crise com ações que priorizam a saúde e segurança de nossos empregados e das comunidades em que operamos; o apoio à batalha contra o vírus, honrando nosso novo pacto com a sociedade; e a continuidade de nossos negócios. Da mesma forma, continuamos avançando com a reparação de Brumadinho e as iniciativas de gestão de riscos.”

Efeito do coronavírus ainda não se materializou de forma intensa na Vale, apontam analistas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil


“Nosso objetivo permanece intacto: estamos transformando a Vale em uma das mais seguras e confiáveis empresas de mineração do mundo”, destaca em comunicado ao mercado o presidente da mineradora, Eduardo Bartolomeo.

O tombo nas vendas de minério de ferro e pelotas levaram a receita líquida da mineradora a um total de R$ 31,3 bilhões, uma piora de R$ 9,8 bilhões na comparação com o trimestre imediatamente anterior. O resultado foi similar ao do primeiro trimestre do ano passado, em razão do efeito cambial. As operações da mineradora foram prejudicadas por fortes chuvas e uma parada não programada no projeto S11D, no Pará, ou seja, ainda sem reflexos da pandemia do novo coronavírus.

Ebitda (que mede a potencial geração de caixa pela companhia) ajustado no primeiro trimestre do ano, ficou em R$ 12,9 bilhões, uma redução de R$ 1,6 bilhão ante o quarto trimestre. A piora no indicador é explicada também pelos menores volumes produzidos no primeiro trimestre, a parada parcial da planta de Brucutu e a manutenções, que impactaram negativamente as vendas de ferrosos. A desvalorização do real frente ao dólar e menores despesas e provisões relacionadas à Brumadinho minimizaram esse impacto.

“A alta do dólar ajuda na receita, mas atua negativamente no passivo da empresa e no trimestre foi mais representativo. O efeito da covid-19 ainda não se materializou de forma intensa na empresa e entendo que se ocorrer paralisação de alguma produção da Vale por conta desta doença, uma nova descompensação ocorrerá na relação oferta e demanda de minério de ferro de boa qualidade, gerando pressão altista de preço da commodity”, diz Pedro Galdi, analista da Mirae Asset. 

Apontada como uma das empresas do País com maior liquidez que adentrou a crise do novo coronavírus, a Vale encerrou março com uma dívida líquida de US$ 4,808 bilhões, queda de 1,4% em relação ao visto no último trimestre do ano passado e 60% menor daquela vista no mesmo período de 2019. A dívida líquida reportada no fim do primeiro trimestre é a mais baixa em 12 anos.

A mineradora brasileira destacou que, na esteira da crise e buscando ter um colchão extra de liquidez, a Vale frisa que desembolsou US$ 5 bilhões de suas Linhas de Crédito Rotativo e que decidiu apoiar pequenos e médios fornecedores e contratados com um pacote de ajuda emergencial no valor estimado de R$ 932 milhões, sendo que R$ 171 milhões foram desembolsados em março e o restante será desembolsado em abril.

Mesmo sem identificar efeitos importantes do novo coronavírus de janeiro a março, a companhia registrou um recuo de 18,2% no volume produzido de minério ante igual período do ano passado. Em relação ao quarto trimestre a queda foi de 23,9%. O volume de 59,6 milhões de toneladas do período ficou bem abaixo da meta da companhia, de 63 milhões de toneladas a 68 milhões de toneladas no período.

Antecipando um potencial impacto mais significativo da pandemia do covid-19 em seu negócio nos próximos meses, a Vale reduziu recentemente sua estimativa de produção de minério de ferro para 2020. A projeção saiu de um intervalo de 340-355 milhões de toneladas para 310-330 milhões de toneladas no ano. 

O movimento seguiu o da concorrente Rio Tinto, reforçando a expectativa de que a restrição da oferta global da commodity ajude a manter os preços do minério em um terreno firme entre US$ 80 a tonelada e US$ 90 a tonelada.

Em meio à crise gerada pelo novo coronavírus a Vale voltou a ser vista como uma das queridinhas dos gestores de fundos. A equação passa por um caixa robusto, a resiliência do preço do minério de ferro frente a outras commodities, o dólar em alta beneficiando sua receita como exportadora e sua exposição à China, país que já começa a se recuperar da crise.

“Diria que foi um resultado bom, mas o importante é ver como a companhia passará por essa fase mais crítica em relação à pandemia do coronavírus. A Vale é uma grande geradora de caixa e por isso acho que se sairá bem comparativamente a outras alternativas no segundo trimestre”, diz Alvaro Bandeira, sócio e economista-chefe do Modalmais.

Em seu relatório de produção, divulgado no dia 17, a Vale mencionou como riscos da pandemia a falta de mão de obra (absenteísmo) em seus sites de produção caso sejam impostas restrições mais severas para o combate ao novo coronavírus. Também destacou que o ritmo de retomada de produção das operações paralisadas após a tragédia de Brumadinho tende a ser mais lento, com a pandemia atrasando os processos de inspeções, avaliações e autorizações.

A mineradora brasileira informa que investiu US$ 1,124 bilhão no primeiro trimestre de 2020,  dos quais US$ 145 milhões em execução de projetos e US$ 979 milhões em manutenção de operações. No mesmo trimestre de 2019 a empresa investiu US$ 611 milhões. A previsão da companhia é investir US$ 4,6 bi em 2020.

Fonte: Estadão

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