Sindicatos europeus se posicionam contra as tentativas do Facebook de suprimir o termo sindicalizar

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Por Samuel Stolton

O Facebook foi acusado de violar uma série de direitos dos trabalhadores internacionalmente reconhecidos, conforme a notícia de que na criação de novos recursos para seu software “Facebook Workplace” ele tentou colocar em lista negra a terminologia associada com sindicalização de funcionários.

Na manhã de 12 de junho, sexta-feira, o site Intercept revelou que o Facebook Workplace, uma plataforma de chat parecida com o Slack, usada para comunicação entre colegas, tinha pilotado ferramentas permitindo aos administradores do Facebook ‘controlar o conteúdo’ comunicado entre colegas, incluindo a censura de certas palavras, como o termo ‘sindicalizar’.

A Confederação Sindical Europeia (CSE) escreveu para Marisa Jimenez Martin, diretora de políticas públicas e vice chefe de assuntos da UE no Facebook na sexta alegando que gigantes da tecnologia dos Estados Unidos gostariam de suprimir associação de terminologia com sindicalização nos locais de trabalho.

“A CSE firmemente se opõe a essas práticas e gostaria de lembrar ao Facebook que quebra de sindicatos e outras atividades discriminatórias em relação aos sindicatos, seus representantes e trabalhadores é absolutamente proibido na Europa, por normas de direitos humanos internacionais e europeias, com as quais os Estados Membros Europeus se comprometeram”,  declarou a carta, vista pelo site EURACTIV.

O grupo, que compreende 90 confederações sindicais nacionais em 38 países europeus, insistiu que o Facebook “pare com essas práticas imediatamente e dê uma garantia a CSE de que a direção política do Facebook vai no futuro promover o direito humano fundamental de poder pertencer e ser ativo em seu sindicato, sem medo de represálias”.

O Facebook atingiu um tom conciliatório depois do que parece ter sido um passo em falso em seu nome.

“Enquanto esses tipos de ferramentas de moderação de conteúdo são úteis para as empresas, esse exemplo foi mal escolhido e nunca deveria ter sido usado”, disse um porta-voz do Facebook ao site EURACTIV.

Ele disse ainda que “O recurso estava apenas no começo do desenvolvimento e nós fizemos planos para lança-lo, enquanto nós estávamos pensando os próximos passos.”

Anterior a admissão pública do Facebook do erro, muitos funcionários da empresa usaram as mídias sociais para criticar a ação da empresa, em explicitamente propor que termos como “sindicalizar” podem ser bloqueados de chat online entre membros do staff.

É provável que a ideia do Facebook censurando o discurso pode vir como uma surpresa, seguindo a decisão da empresa de deixar uma série de posts do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, online, depois da mídia rival, o Twitter ter colocado rótulos em alguns dos tweets de Trump – avisando que eles podiam ser incendiários e deviam ser checados.

Apesar dos erros do Facebook no debate mais amplo sobre regulamentação de conteúdo online, o chefe da empresa Mark Zuckerberg e sua esposa Priscila Chan criticaram comentários recente feitos pelo Presidente Trump em e-mail vazado para associados da Iniciativa Chan Zuckerberg.

“Nós estamos profundamente abalados e enojados pela retórica divisiva e incendiária do Presidente Trump, em uma época em que nossa nação precisa tão desesperadamente de unidade”, escreveram Zuckerberg e Chan, no e-mail visto pela CNN.

“Esse é um ponto de inflexão extraordinariamente doloroso na história de nossa nação, particularmente para a comunidade negra e nossos colegas negros, que viveram com os impactos do racismo sistêmico por gerações”, declarou.

Fonte: https://www.euractiv.com/

Publicado em / EURACTIV.com 12/06/2020 (atualizado: 15/06/2020)

[Editado por Zoran Radosavljevic]

Tradução: Luciana Cristina Ruy

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