‘Se a saca de arroz se mantiver em R$ 100, o preço repassado ao consumidor será de R$ 30’

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Presidente de associação de supermercados diz que o valor praticado no mercado ainda não corresponde ao repasse integral de preços; Procon vai fiscalizar estabelecimentos e, em caso de preços abusivos, autuar o comércio em até R$ 10 milhões

Érika Motoda, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2020 | 22h09

Apesar da recente alta dos preços do arroz, o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Ronaldo dos Santos, disse que o custo da matéria-prima ainda não foi repassado integralmente ao consumidor. “Na média, ainda se acha um arroz top de linha (de 5 quilos) entre R$ 18 e R$ 23 nos mercados. Mas se a saca de arroz com casca (do produtor) se mantiver em R$ 100 durante mais um ou dois meses, vai chegar a mais de R$ 30 ao consumidor conforme os estoques forem sendo renovados.”

Em janeiro, a saca chegou a custar menos de R$ 50, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP).

arroz

Gôndolas com sacos de arroz em um mercado na na Vila Prudente, zona sul de São Paulo Foto: Taba Benedicto/ Estadão – 9/9/2020

Santos participou nesta quinta-feira, 10, de uma reunião promovida pelo Procon-SP com representantes de supermercados, indústria e produção para debater a alta dos alimentos. Houve um consenso de que a alta do preço aconteceu devido ao atual cenário econômico, com a demanda nacional aquecida por causa da pandemia e a demanda internacional estimulada pela desvalorização do real frente ao dólar. Entretanto, o Procon vai fiscalizar estabelecimentos e, em caso de preços abusivos, autuar o comércio em até R$ 10 milhões.

Santos não vê, por enquanto, o risco de as prateleiras ficarem desabastecidas. “Até porque o governo liberou a importação sem a taxa.” Mas ele também não vê uma queda dos preços praticados no curtíssimo prazo. “Como foi uma conjuntura de mercado que levou à elevação do preço, para que haja uma redução no curto prazo é difícil. O que a gente percebe no setor é: quanto maior o preço, menor o consumo. Com o consumo reduzido, isso pode ajudar a reduzir o preço.”

Há uma semana, o presidente Jair Bolsonaro pediu que os donos de supermercados tivessem “patriotismo” e baixassem os preços. Mas no comércio em geral, conforme Santos explicou, existe o que é conhecido no jargão como “sensibilidade de preço”. “Aquele produto que pesa mais e é mais importante, o empresário fica atento à precificação desse produto para não assustar o consumidor. As margens de lucros são menores para não assustar o consumidor, senão a loja lá da esquina pode não praticar o mesmo preço (elevado). É a briga do dia a dia.”

Ele acredita que quando a próxima safra for colhida, em fevereiro de 2021, o preço do arroz possa diminuir. Mas até lá, o mercado também depende ainda de outros fatores externos.

Fiscalização

O Procon-SP está visitando supermercados e atacarejos para identificar eventuais aumentos injustificados nos preços dos produtos. Caso o comércio seja identificado um aumento sem justificativa, as empresas responderão a um processo administrativo e  podem ser multadas em até R$ 10.155.730,94, dependendo do porte econômico e da gravidade da infração.

A operação, que seguirá nos próximos dias na capital e interior do Estado, tem como foco: arroz (pacote de 5kg), feijão, ovo, óleo e carnes vermelhas (patinho, coxão mole, coxão duro e contrafilé).

Fonte: Estadão

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