Rodoviário prepara greve nacional em defesa de lei

Mercado de trabalho para técnicos está aquecido
Assédio moral: conheça um pouco mais dessa prática cruel

greve rodoviáriosO Brasil está na iminência de sofrer os efeitos, em plena copa do mundo, de uma greve nacional dos trabalhadores em transportes rodoviários de cargas e de passageiros.

O presidente da Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado de São Paulo (Fttresp), Valdir de Souza Pestana, expõe o motivo da paralisação, que será articulada.

“É o projeto de lei 4.246-2012, em tramitação no Senado, que legaliza a morte de 4 mil motoristas e usuários de rodovias por ano. E obriga os profissionais a usarem drogas para suportar longas jornadas”.

O projeto modifica a lei 12.619, conhecida por lei do descanso dos motoristas e da segurança nas estradas, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em 2012.

Dezenas de ônibus partirão nesta segunda-feira (2), de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e outros estados, rumo a Brasília, para acompanhar a votação do projeto de lei, no Senado.

As 13 federações filiadas à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres (Cnttt), além de dezenas de sindicatos, acompanharão a votação, prevista para terça-feira (3).

“Vamos mostrar às empresas, aos políticos e ao governo, patrocinadores do genocídio nas estradas, que não estamos para brincadeira”, adverte o sindicalista.

Agronegócio

Os sindicalistas debaterão com os senadores os problemas pontuais da lei, alertando que “o tema diz respeito a toda a sociedade”, pondera Pestana.

“Não aceitamos que meia dúzia de pseudo sindicalistas, sem mandato, a serviço do agronegócio e do governo, tripudie sobre os interesses dos trabalhadores”, pondera o presidente da Fttresp.

“E muito menos que falem em nome dos verdadeiros representantes dos trabalhadores”, acrescenta Pestana, também presidente do sindicato dos rodoviários de Santos e região.

O sindicalista se refere à CUT, que “outrora posou de única e combativa central defensora dos trabalhadores dos transportes, mas que hoje se tornou braço pelego do agronegócio e ruralistas”.

Na semana passada, segundo ele, dirigentes da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes da CUT, “serviçais do agronegócio, montaram claque, no Senado”.

“Passaram a insuflar parlamentares que já são naturalmente contra os trabalhadores e até aplaudiram a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), tradicional representante do agronegócio”, reclama Pestana.

Prejuízos

Na avaliação do sindicalista, o ‘pl’, se aprovado, transferirá R$ 62 bilhões para a sociedade pagar, por meio do Estado, no tratamento de feridos em acidentes nas estradas.

O projeto de lei complementar, do deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS), já foi aprovado na Câmara e remetido ao Senado em 7 de maio, causando enorme polêmica.

1.600 vidas

Um dos dados mais importantes divulgados pelo sindicalista é da Polícia Rodoviária Federal (PRF), de que a lei a ser modificada pelo projeto salvou 1.600 vidas, nas estradas, em dois anos.

Diante dos dirigentes do FNDL (fórum nacional em defesa da lei 12.619-2012), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), prometeu, na semana reatrasada, amplo debate para corrigir distorções.

O FNDL, no entanto, reclama que o parlamentar, ao contrário do prometido, evocou o regime de urgência urgentíssima para votação do projeto de lei nos próximos dias.

A lei a ser modificada determina que os motoristas empregados devam respeitar a jornada de oito horas diárias, com prolongamento de no máximo duas horas. E obriga o descanso de 11 horas entre as jornadas.

Greve

Valdir Pestana e o secretário-executivo da FNDL, Hamilton Moura, no entanto, garantem que os rodoviários se preparam para uma greve geral, caso o Senado aprove sem modificações o ‘pl’ 4.246-2012.

Retrocessos

O ‘pl’ em tramitação no Senado eleva de oito para 12 horas a jornada de trabalho diária do motorista, admitindo, em algumas situações a inexistência de qualquer limite.

Mais: torna o início e o ¬ final da jornada indeterminados. Reduz o tempo de descanso entre as jornadas de 11 para oito horas. Eleva de quatro para cinco horas e meia o tempo ininterrupto de direção.

Reestabelece o comissionamento como prioridade para remuneração. Reduz de 130% para 30% sobre a hora normal o pagamento por tempo de espera.

Elimina a remuneração de 30% do tempo de reserva. Elimina a corresponsabilidade dos contratantes do serviço em fiscalizar o descanso dos motoristas.

Homologa vias que torna impossível qualquer fiscalização do descanso. Reclassifica de grave para média a infração ao descanso obrigatório. Perdoa as multas por infração à Lei 12.619/12.

Fonte:Assessoria de Imprensa do Sindicato

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Sindicalize-se
Falar pelo WhatsApp
Enviar via WhatsApp