Profissional jovem valoriza atuação social de empresas, diz pesquisa

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Atenção a questões ambientais e sociais é fator de atração de novos talentos para 53% de executivos e empresários, aponta consultoria

Rebeca Soares, Especial para o Estadão

03 de março de 2021 | 05h00

O movimento de adaptação das empresas à agenda ESG (que incluem fatores ambientais, sociais e de governança) já influencia a atração de profissionais mais jovens por empresas. Segundo pesquisa da Talenses Consultoria, 53% dos empresários e executivos brasileiros dizem que o foco no legado ESG ajuda na retenção de talentos da chamada “geração Z” (pessoas nascidas entre 1995 e 2010).
É o caso de Murilo Passos, de 24 anos, é coordenador de inovação cultural no time de branding da Natura. Murilo atuava na comunidade onde mora, em Guarulhos, auxiliando artesãs a empreender. E achava que não havia espaço para ele em grandes empresas: “Eu partia do princípio de que eu nunca ia trabalhar no mundo corporativo.”

Murilo Passos

Murilo Passos, da Natura, acreditava que ‘nunca ia trabalhar no mundo corporativo’. Foto: Werther Santana/Estadão

No entanto, foi justamente essa característica que fez a diferença. Ele entrou na Natura por meio de um programa que visa a encontrar jovens com atuação na sociedade. “Só há a possibilidade de eu estar trabalhando na Natura hoje por conta da valorização que ela dá para esse tipo de aspecto, principalmente a diversidade.”

Assim como Murilo, Gabriele Honório, de 27 anos, também está no grupo de jovens que buscam empresas que fazem a diferença. Recém-promovida ao cargo de gestora de marketing da empresa de bens de consumo Softys, Gabriele diz que, desde a faculdade, tinha a preocupação com temas ambientais e de inclusão. “Eu não me imaginava trabalhando em uma empresa que simplesmente ignora questões relevantes para o desenvolvimento da comunidade”, diz.

Para Luiz Valente, presidente da Talenses, as gerações Y e Z formam um grupo de consumidores mais preocupados com a reputação das empresas. Ao comprar um produto, esse público questiona o posicionamento da marca em questões sociais, como racismo e preconceito.

E esse tipo de pensamento começa a fazer a diferença na hora de se escolher onde trabalhar. “Os millennials já chegaram a cargos gerenciais, e a geração Z está entrando agora no mercado de trabalho. Além de serem mais engajadas em questões sociais e ambientais, as duas gerações também são mais preocupadas quando o assunto é ética”, explica.

Do total de 201 entrevistados pela Talenses, 86% acreditam que as ações de ESG são benéficas para o desempenho no mercado, sendo que 63% avaliam que esse fator ajuda a ampliar o valor de mercado de uma companhia. Já 50% acreditam que há ganhos de imagem e reputação. Além disso, segundo Valente, o compromisso ESG pode ajudar as companhias a obter crédito bancário e renegociações de dívidas com condições mais vantajosas.

Compromissos

Para Regiane Herchcovitch, diretora de recursos humanos da Softys, a reputação da empresa ajuda a gerar conexão e engajamento entre os funcionários. “Além das ações da empresa atraírem os funcionários para o recrutamento, elas se tornam motivo de orgulho para quem já está dentro e percebe que temos preocupações que são benéficas para a sociedade e o meio ambiente”, afirma.

Segundo Aline Felix, gerente sênior de experiência do colaborador e marca empregadora da Natura, as ações ambientais e sociais ajudam a conectar a organização aos funcionários. “Cada pessoa faz parte da composição da empresa, então a gente não entende os valores de maneira separada. Até porque o colaborador chega a espaços onde a empresa não está”, diz.

Na visão da executiva, quanto mais jovem o candidato, maior é a preocupação com valores que são refletidos na sociedade. “A Natura assumiu o compromisso, olhando para 2030, de ter zero emissão de carbono líquido. Além disso, reafirma a importância de até 2026 ter 50% de mulheres compondo a liderança.”

Fonte: Estadão

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