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Em agosto, 12,9 milhões de pessoas estavam sem trabalho no País, segundo o IBGE; mais da metade dos brasileiros vivia em lares beneficiados por algum tipo de auxílio emergencial

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2020 | 12h10
Atualizado 23 de setembro de 2020 | 19h48

RIO – A taxa de desemprego no País aumentou de 13,1% em julho para 13,6% em agosto, maior resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid (Pnad Covid-19) mensal, iniciada em maio pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população desocupada, que era de 10,1 milhões no começo da pesquisa, passou para 12,3 milhões em julho e, agora, 12,9 milhões de pessoas (aumento de 5,5% no mês e de 27,6% desde o início da pesquisa).

A Região Sul foi a única a apresentar queda da população desocupada (-2,3%) de julho para agosto, enquanto os maiores avanços ocorreram no Nordeste (14,3%) e Norte (10,3%). As taxas de desocupação do mês passado foram mais elevadas no Nordeste (15,7%), Norte (14,2%) e Sudeste (14,0%), mais brandas no Centro-Oeste (12,2%) e Sul (10,0%).

Os trabalhadores que permaneciam empregados ainda enfrentavam dificuldades para recompor a renda do trabalho perdida na pandemia. Segundo os dados da Pnad Covid-19 mensal, divulgados nesta quarta-feira, 23, o rendimento médio habitual de todos os trabalhos era de R$ 2.384 em agosto, mas os trabalhadores receberam efetivamente, em média, R$ 2.137. Ou seja, a renda efetiva representou 89,7% do que seria habitualmente recebido.

Auxílio emergencial

Mais da metade da população brasileira vivia em lares beneficiados por algum tipo de auxílio relacionado à pandemia em agosto. Foto: Alex Silva/Estadão

Apesar da defasagem, houve melhora em relação a julho, quando a renda efetiva alcançou 87,4% da renda habitual. Em maio, quando começou a pesquisa a renda efetiva correspondia a apenas 81,5% do rendimento habitual.

Segundo Maria Lucia Vieira, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, os programas de manutenção do emprego e renda ajudaram a complementar o rendimento dos trabalhadores. Mas a melhora com o passar dos meses foi puxada pelo retorno ao trabalho dos funcionários afastados.

“As pessoas estão retornando ao mercado de trabalho e elas foram recuperando a renda que recebiam antes. A gente vê isso no afastamento de trabalhadores ocupados que foi sendo reduzido ao longo dos meses, e a gente vê também nas horas trabalhadas. A diferença entre as horas trabalhadas e as horas habituais diminuiu. As pessoas estão voltando a trabalhar mais e estão conseguindo recuperar renda”, afirmou Maria Lucia.

As Regiões Sudeste e Sul tiveram as menores proporções de rendimento efetivo de trabalho em relação ao habitualmente recebido. No Sudeste, a renda efetiva de todos os trabalhos representava 89,0% do habitual. No Sul, essa proporção foi de 89,3%.

Os trabalhadores por conta própria e os empregadores foram o que tiveram as maiores diferenças entre os rendimentos habitualmente recebidos e os efetivamente recebidos: em agosto, os trabalhadores por conta própria receberam 76,9% da renda habitual, enquanto os empregadores obtiveram 81,4%.

A massa de rendimento médio real normalmente recebido subiu de R$ 191,0 bilhões em julho para R$ 192,7 bilhões em agosto, puxada por um aumento da população ocupada. Considerando o rendimento efetivo, a massa de rendimento cresceu 3,5%, passando de R$ 167 bilhões em julho para R$ 172,7 bilhões em agosto.

O rendimento médio real domiciliar per capita efetivamente recebido no Brasil foi de R$ 1.302 em agosto, 2,2% superior aos R$ 1.274 recebidos em julho. No Nordeste, a renda média per capita foi de R$ 911, e no Norte, R$ 920.

O rendimento médio domiciliar per capita dos domicílios onde nenhum dos moradores recebia algum auxílio do governo concedido em função da pandemia totalizou, em média, R$ 1.802 em agosto, mais que o dobro da renda dos lares em que alguém algum morador recebia o auxílio (R$ 816).

Auxílio emergencial

Mais da metade da população brasileira vivia em lares beneficiados por algum tipo de auxílio relacionado à pandemia no mês de agosto. Dos 211,154 milhões de habitantes do País, 107 milhões moravam em domicílios em que ao menos uma pessoa da família recebia alguma ajuda emergencial.

No entanto, a proporção de domicílios que recebeu algum auxílio relacionado à pandemia diminuiu de 44,1% em julho para 43,9% em agosto, totalizando 30,1 milhões de lares contemplados. “Essas diferença não é significativa (estatisticamente)”, afirmou Maria Lucia Vieira.

O valor médio do benefício recebido foi de R$ 901 por domicílio. Os auxílios pesquisados incluem não apenas o auxílio emergencial, mas também a complementação do governo pelo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, o que ajuda a explicar a incidência de recebimento de benefício entre domicílios com renda mais elevada.

Na Região Norte, 61,0% dos domicílios recebiam algum tipo de auxílio, enquanto essa fatia era de 59,1% no Nordeste.

Os Estados com maior porcentual de domicílios contemplados foram Amapá (71,4%), Maranhão (65,5%), Pará (64,5%); Alagoas (63,5%) e Amazonas (61,9%). Todos os estados do Nordeste e Norte têm mais da metade dos domicílios recebendo auxílio emergencial, enquanto os estados das demais grandes regiões têm menos da metade dos lares contemplados. Rio Grande do Sul (29,2%) e Santa Catarina (24,8%) foram os que apresentaram as menores proporções de domicílios com o benefício.

Fonte: Estadão

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