Número de telefonistas diminui 80% em 10 anos

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telefonistasHoje, além de ser dia de São Pedro, também é comemorado o Dia da Telefonista. A profissão conta atualmente com cerca de 1.000 representantes nas sete cidades. O número é 80% inferior ao de dez anos atrás, quando chegava a 5.000 empregos, segundo estimativa do Sintetel (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefônicas no Estado de São Paulo).

Segundo o diretor regional do Sintetel responsável pelo Grande ABC, Mauro Cava de Britto, uma das razões para a diminuição dessas profissionais é a informatização dos sistemas. “O avanço tecnológico, como o DDR (Discagem Direta ao Ramal), que a maioria das empresas passou a utilizar, ou até mesmo o atendimento eletrônico, que extinguiu a figura humana, ajudou a reduzir muito os postos de trabalho nesse ramo.”

Além disso, de acordo com ele, hoje muitas mulheres acabam exercendo mais de uma função, descaracterizando assim a profissão. “Acontece muito em consultórios, por exemplo, de não existir uma telefonista, mas uma recepcionista, que atende as ligações e ainda é responsável pelo atendimento das pessoas. Isso sobrecarrega totalmente a profissional, e acaba sendo uma desculpa para deixá-la com jornada de oito horas diárias”, disse Britto.

Situação semelhante vivia a hoje telefonista de Diadema Andrea Fátima Souza de Oliveira, 30 anos, um ano atrás. “Eu trabalhava em um consultório médico e era telefonista e recepcionista, porém meu registro continha apenas a função de recepcionista.”

 Após um ano no consultório, Andrea conseguiu emprego como telefonista na fabricante de colchões Sankonfort, também em Diadema. “Foi como um presente para mim, já que eu queria essa redução da jornada (para seis horas), para passar mais tempo com a minha família e poder cuidar da minha filha pequena de 4 anos”, disse.

 Atualmente, ela atende cerca de 70 ligações por dia, e é responsável, no período da tarde, pelas dez linhas telefônicas da empresa, que mantém 300 funcionários.

 Pela manhã, a moradora de Santo André Maura Viana, 44 anos, é que fica responsável pelas linhas, chegando a atender até 100 chamadas diárias. Ela é telefonista da empresa há 15 anos, e antes disso trabalhava com vendas pelo telefone. “Confesso que a carga horária também foi um atrativo quando eu aceitei o emprego. Mas acho que, por não lidar com vendas, o estresse é bem menor. Além do que eu me encontrei aqui, já que sou comunicativa e gosto muito de falar ao telefone.”

Mesmo com a chance de mudar de função, Maura não pensa nesta possibilidade. “Já me ofereceram a oportunidade para atuar em outro cargo, mas eu sou feliz desempenhando esta função. Pretendo me aposentar como telefonista”, afirmou.

A carga horária da telefonista é de seis horas diárias, totalizando 36 semanais. Conforme a entidade sindical, a profissão é composta totalmente por mulheres. O piso salarial na região é de R$ 1.135.

 TELEMARKETING – As telefonistas foram sendo gradativamente substituída pelos operadores de telemarketing na região. Atualmente, há 20 mil trabalhadores no Grande ABC, número 19 vezes maior do que o das telefonistas. “Este novo profissional acabou surgindo para realizar vendas, cobranças e atendimentos, através de um sistema mais informatizado, o que foi tomando o espaço da telefonista. Porém, as atividades desenvolvidas são diferentes, já que as telefonistas transferem ligações e têm uma agenda pessoal, desempenhando papel de confiança na empresa. Mas o mercado não soube explorar bem esta diferença”, explica o diretor regional do Sintetel, Mauro Cava de Britto.

Apesar do aumento nos postos de trabalho, o piso salarial do operador de telemarketing é R$ 335 menor. Enquanto as telefonistas recebem R$ 1.135, os atendentes ganham R$ 800. A jornada de ambos os profissionais é de seis horas (já a da recepcionista é de oito horas por dia). Segundo Britto, embora muitas empresas estejam deixando de lado as telefonistas, ele não acredita na extinção da profissão. “Tanto a função de telefonista como a de operador de telemarketing são muito importantes, e eu não acredito que as telefonistas vão deixar de existir. As grandes companhias as mantêm porque dá um ar formal e sério para a empresa, além da discrição e transparência que essa profissional oferece.”

A telefonista Maura Viana, da Sankonfort, acredita que é difícil competir com o telemarketing e com as novas tecnologias, mas se mantém otimista. “Atendimentos eletrônicos podem travar e a função do operador é totalmente diferente do papel da telefonista, Ela vai saber dar informações específicas sobre a empresa, os funcionários, além de saber para quem passar diretamente a ligação, mesmo que o próprio cliente não saiba.”

Os profissionais não recebem o adicional de periculosidade de 30% sobre o salário, mas, segundo o diretor, essa é uma das lutas do sindicato. “Esse valor é devido aos trabalhadores, pelo estresse do dia a dia.”

APOSENTADORIA – As telefonistas não conseguem se aposentar dez anos mais cedo pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Até a legislação de 1995 esse direito era assegurado, assim como para profissões como jornalistas, metalúrgicos e vigilantes. Porém, para conseguir obter o direito na Justiça, é necessário provar a exposição a ruídos. Para isso, a trabalhadora deve ficar atenta à intensidade dessa exposição.

Até 5 de março de 1997, o nível considerado prejudicial ao trabalhador era a partir de 80 decibéis. Já após o decreto número 2.172, ficou decidido que no período de 6 de março de 1997 até 18 de novembro de 2003 são considerados acima de 90 decibéis.

Já em 2003, uma nova determinação (número 4.882) especificou que a partir de 19 de novembro do mesmo ano o limite prejudicial é acima de 85 decibéis. Além do barulho, porém, que pode prejudicar a audição, as telefonistas lidam com outras dificuldades. É o caso da aposentada andreense Maria Gonçalves, 74 anos, que trabalhou na profissão durante 30 anos na CTBC (Companhia Telefônica da Borda do Campo). Ela contou que o estresse era o único contratempo para a jornada. “Éramos em 54 funcionárias e trabalhávamos muito. Eu atendia mais de 100 ligações por dia. Saía com cabeça zonza e, graças a Deus, não fiquei com nenhum problema de audição, mesmo usando o fone.”

 Apesar da dificuldade, Maria, que se aposentou devido a um derrame, diz que sente saudades e que voltaria a trabalhar na função, se pudesse. “Eu trabalharia de novo, gosto muito, não consigo me imaginar fazendo outra coisa. Era muito divertido trabalhar falando com o mundo todo. Hoje, a profissão acabou. Só se vê telefonistas em empresas grandes, nem mesmo as companhias telefônicas não têm mais. Eu fico muito triste com isso”, afirmou.

Fonte: Diário do Grande ABC

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