Maia diz que governo Bolsonaro é guiado por “gabinete do ódio”

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O presidente da Câmara Citou Olavo de Carvalho e criticou lentidão no combate à covid-19. “Estimula posições divergentes”, diz Maia


Presidente da Câmara foi o entrevistado do Canal Livre deste domingo, 5

Presidente da Câmara foi o entrevistado do Canal Livre deste domingo, 5 – Foto: Reprodução Band

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse em entrevista à TV Band no domingo (5.abr.2020) que o governo Bolsonaro é guiado pelo “gabinete do ódio” comandado por Olavo de Carvalho. Afirmou ainda que empresários brasileiros “patrocinam” robôs favoráveis ao grupo para espalhar notícias falsas nas redes sociais.

“Toda semana eles tentam criar uma nova narrativa para enfraquecer o Parlamento, para enfraquecer o ministro Mandetta. (…) Acho que a sociedade nesse momento começa a entender que há muitas informações falsas, muitas mentiras, mas, mais do que isso, muita irresponsabilidade, que tem sido, infelizmente, muitas vezes comandada pelo próprio presidente da República”, disse Maia.

O congressista avaliou que o Executivo está respondendo “com lentidão” ao combate à pandemia. Afirmou que Bolsonaro estimula posições divergentes das indicadas pelo Ministério da Saúde e causa conflitos dentro do próprio governo.

Ao mostrar a insatisfação da atuação do governo em relação à doença, Maia comparou às atitudes tomadas recentemente nos Estados Unidos. O Congresso norte-americano e o presidente, Donald Trump, fecharam acordo para aprovar 1 pacote emergencial de US$ 2 trilhões.

“As coisas foram acontecendo de forma homeopáticas, diferente do que fez o governo americano, que apresentou um grande pacote ao parlamento. Assim fica mais fácil de dialogar, porque, quando você faz uma grande proposta, você vai com uma proposta onde você limita as suas possibilidades”, declarou Maia.

Para Maia, Bolsonaro é orientado por seus assessores para não formalizar sua posição sobre a discordância em relação ao isolamento social. Segundo o presidente da Câmara, o chefe do Executivo só não toma a decisão porque “sua assessoria não deixa”.

“Se ele assinar alguma orientação formal, que vá contra a orientação do seu próprio ministro e da OMS, certamente ele responderá pessoalmente a essa decisão de liberar o isolamento sem ter 1 embasamento legal para isso”, afirmou.

Segundo Maia, o governo está gerando “ansiedade” na população brasileira ao causar atritos “desnecessários” entre Poderes e setores. O governo, diz o deputado, deveria atuar para salvar vidas e empregos ao invés de ficar conflitando com o Congresso e o Supremo.

CORONAVÍRUS

“A pandemia deve começar a cair em agosto e, em meados de setembro, deve estar estabilizada”, foi o que disse o presidente da Câmara sobre a previsão do ministro Henrique Mandetta (Saúde) para o fim do surto de coronavírus no país.

A área econômica do governo demorou para agir, avalia Maia. “Demorou a acreditar que, de fato, além de uma crise profunda de saúde, de perda de vidas, que isso iria gerar 1 impacto grande na economia e na proteção aos mais simples, aos mais vulneráveis. As coisas foram acontecendo de forma homeopática”.

Sobre a linha de crédito de R$ 40 bilhões para pequenas e médias empresas anunciadas pelo governo em 27 de março, Maia afirmou que o valor foi bem menor se comparado à sugestão inicial.

“Proposta inicial é que o empréstimo fosse de R$ 160 bilhões. O governo é que escolheu R$ 40 bilhões. E, se não fosse o presidente do Banco Central, a informação que tenho é que seria menor ainda”, declarou.

Na avaliação do deputado, o BNDES está agindo de forma muito “tímida”.

“Não consegue criar solução [à crise]. Diz às empresas que problema é no Legislativo. Só que na Câmara não chegou nenhum projeto de lei demandado pelo BNDES. Então na verdade é vontade de não resolver”, afirmou Maia.

ELEIÇÕES MUNICIPAIS

O congressista diz que é preciso aguardar e, se necessário, adiar a eleição “dentro do período do mandato”, ou seja, ainda em 2020. Para ele, “o mandato é sagrado, porque pode gerar problemas na democracia no futuro”.

“Fico muito preocupado, não nesse caso, porque acho que o presidente Bolsonaro não terá maioria no Parlamento. Mas, no futuro, uma prorrogação de mandato pode abrir 1 precedente grave para que 1 presidente forte no Parlamento encontre uma falsa briga e prorrogue seu próprio mandato”, justifica Maia.

O presidente da Câmara é a favor de que, se a crise gerada pelo coronavírus se estenda até setembro, as eleições municipais sejam realizadas na 1ª semana de novembro. Atualmente, segundo o calendário eleitoral, deverão ser realizadas em 4 de outubro.

Fonte: Poder 360º

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