ESTUDO APONTA AS 21 PROFISSÕES DO FUTURO PARA OS PRÓXIMOS ANOS; CONFIRA

Com pandemia, participação das mulheres no mercado de trabalho é a menor em 30 anos
Justiça condena Latam a pagar R$ 500mil de indenização por demissão em massa em 2015

Mundo do trabalho vive mudanças profundas, que se acentuarão com a tecnologia cada vez mais ditando o ritmo das transformações

Profissional monitora uma biblioteca robotizada de insumos farmacêuticos mantido pela Bayer, em Wuppertal, na AlemanhaINA FASSBENDER/REUTERS

emprego passa por uma mudança profunda. E nos próximos oito anos, especialistas apontam que essa transformação será ainda mais radical. A tecnologia ditará o tom das alterações, agindo algumas vezes como protagonista, e em outras, como coadjuvante, por efeito colateral nesse processo.

Essas premissas estão por trás do estudo realizado pela multinacional de tecnologia Cognizant. Há dois anos, sob a liderança do especialista Ben Pring, que se autointitula futurologista em mercado de trabalho, a empresa norte-americana edita uma lista com 21 profissões que, nos próximos anos, devem movimentar as agências de recursos humanos. A publicação é revisada periodicamente e traz tendências para o mercado até 2028.

Algumas ocupações, citadas no estudo pela primeira vez dois anos atrás, já fazem parte da realidade corporativa atualmente. É o caso da profissão de investigador de dados, que procura, processa e analisa informações e rastros deixados por pessoas, empresas e governos na internet. Com mudanças pontuais em sua denominação, a função hoje é mais conhecida como cientista de dados, e é disputada por empresas de tecnologia.

Outras, no entanto, parecem retiradas da ficção científica. É o  caso do alfaiate digital, profissional que segundo a projeção será responsável por customizar, tirar medidas ou mesmo desenhar roupas sob medida, a serviço de lojas que operam exclusivamente pela internet. Ou o controlador de tráfego autônomo, que terá sob sua responsabilidade o gerenciamento de trânsito de veículos autônomos e de drones nas grandes cidades do mundo.

Drone é exibido em feira de tecnologia militar em Washington, nos Estados UnidosJASON REED/REUTERS

“A nossa pesquisa leva em consideração a realidade do mercado de trabalho nas principais cidades do mundo. Muitas vezes, são empregos que já estão ai, próximos da gente. Em outros casos, são empregos que podem até não acontecer, devem mudar, conforme acontece o avanço da tecnologia”, afirma Roberto Wik, diretor da indústria e varejo da Cognizant no Brasil.


MUNDO NOVO

Em uma das conclusões, o relatório observa que o futuro do trabalho não necessariamente será sombrio, apenas diferente. “Nossa prioridade com o estudo é mostrar que há um futuro para o trabalho humano. Todas as carreiras listadas neste levantamento estão surgindo em uma época em que o valor comercial está mudando radicalmente. Algumas habilidades estão perdendo espaço no mercado enquanto outras são muito mais valorizadas. Acreditamos que as profissões citadas na pesquisa combinam o futurístico com o possível”, aponta Ben Pring, vice-presidente da Cognizant.

Segundo a equipe de Ben Pring, profissões morrem e outras nascem desde o início dos tempos. A diferença, agora, é que isso acontece em um ritmo muito mais veloz. “O surgimento da lâmpada elétrica acabou de uma hora para a outra com o trabalho do cara que acendia o lampião no meio da rua. Hoje, a tecnologia faz isso o tempo todo com funções mecanizadas, que serão todas substituídas pelos robôs, mais cedo ou mais tarde”, afirma Wik.

FIM DE OCUPAÇÕES

Entre as projeções traçadas pelo estudo da Cognizant está o fim, no curto e médio prazo, de atividade milenares, que irão sucumbir à tecnologia e sua capacidade de produção superior à humana. “Atividades como a pesca profissional, por exemplo, vão acabar rapidamente”, diz Wik.

Roberto Wik, diretor da indústria e varejo da Cognizant no BrasilCOGNIZANT

Segundo ele, esse processo é irreversível e global, impactando mesmo em praças hoje marcadas pelo déficit de desenvolvimento. “O que acontece é que em alguns países, como no Brasil, essas transformações devem demorar um tempo maior do que prevemos no estudo, mas esse é um processo irreversível”, afirma.

Como exemplo, ele cita o caso do caixas de supermercados ou atendentes de toda espécie.

Há cinco anos existiam mais cobradores de ônibus do que hoje. Todas a vezes que eu passo em uma praça de pedágio, fica claro que aquele trabalho de receber o dinheiro e dar o troco vai acabar. Nos Estados Unidos esse trabalho quase não existe mais.”

Roberto Wik, diretor da indústria e varejo da Cognizant no Brasil

ROBÔS: COLEGAS DE TRABALHO

Se por um lado, os avanços em aprendizado de máquinavisão computacionalrobótica internet das coisas, além da automação de linhas de produção fazem das máquinas excelentes funcionários e competentes colegas de trabalho, a projeção sobre os 21 trabalhos do futuro trata de lançar uma versão um pouco mais otimista sobre cenários hoje disseminados de desemprego em massa e em escala global.

“A boa notícia é que sempre será preciso um homem para programar e fazer a manutenção da máquina. E mais: o surgimento dos robôs, também abre espaço para novos problemas, que, de novo, vai depender de homens para serem solucionados”, diz Wik.

A teoria de Wik foi vivenciada pela especialista em recursos humanos Aline Sueth. Quando atuava da gestão de profissionais da companhia Ambev, ela lembra que, a partir de investimentos em mecanização, a empresa praticamente dobrou a capacidade de produção em uma de sua linhas. “Imediatamente, essa nova tecnologia nos trouxe uma nova dor de cabeça: o aumento exponencial de rejeitos, lixo da produção. Obviamente, tivemos de investir em novas competências para resolver essa questão.”

A especialista em recursos humanos Aline SuethACERVO PESSOAL

FLEXIBILIDADE

Para especialistas em carreira, o recado que exemplos como o da Ambev trazem aos profissionais é o de que, daqui para frente, a flexibilidade deve ser cultivada como principal atributo para não ficar de fora do mercado e trabalho. “A tecnologia exige uma formação contínua das pessoas”, aponta Wik.

O futuro parece ser dos profissionais especializados. E isso nos força a aprender para toda a vida.”

Luciene Magalhães, líder em recursos humanos da KPMG

De fato, a busca por alta especialização é a tônica entre as 21 profissões do futuro apontadas pelo levantamento. Um conceito que, para a professora titular da Faculdade de Economia, Administração , Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Tânia Casado,  já força uma mudança de perspectiva para os profissionais.

“Tudo mudou. Se no passado o espírito de organização era o que mais se buscava de um profissional no mercado de trabalho, hoje o atributo mais desejado é a adaptabilidade“, aponta a pesquisadora, que também é diretora do Escritório de Carreiras (ECar), da USP.

“A flexibilidade é fundamental para fazer a migração para uma outra carreira rapidamente. A disposição para viver novas experiências e a capacidade de construir redes de contato devem se tornar cada vez mais importantes. E para quem se prepara para entrar no mercado de trabalho, essas competências prometem valer mais que a própria profissão”, diz Tânia.

Fonte:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Sindicalize-se
Falar pelo WhatsApp
Enviar via WhatsApp