Donos de quadras de futebol e profissionais do ramo pedem pela reabertura das escolinhas

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Em nota, a Secretaria do Esporte afirmou ao ‘Estadão’ que este tipo de atividade volta apenas na fase azul do Plano São Paulo

Raul Vitor, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2020 | 10h30

Proprietários de quadras de futebol e profissionais ligados ao setor pedem a reabertura das escolinhas para a molecada. Eles estão fechados há mais de seis meses. Representantes do movimento dialogam com o Governo de São Paulo e questionam a demora para a avaliação do protocolo de segurança, que foi enviado há cerca de 20 dias para a análise do Centro de Contigência da covid-19. Em São Paulo, o futebol amador também ainda não retornou. Nem mesmo as categorias de base dos clubes profissionais.

“Se não reabrirmos, vamos quebrar todos. Queremos abrir dentro da legalidade, mas o governo não está nos dando respaldo. Pediram para que enviássemos um protocolo sanitário para o Centro de Contigência. Enviamos há cerca de 20 dias, mas até agora não tivemos retorno”, disse Omar Choaib, representante dos proprietários de quadras do Estado de São Paulo, em entrevista ao Estadão. Os clubes também preparam a retomada nas bases, mas ainda sem data.

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 Quadras de futebol privadas seguem fora de funcionamento em São Paulo Foto: Reprodução

Choaib explica que mais da metade das quadras de futebol e escolinhas estão abertas de forma clandestina e que isso tem prejudicado a atuação do setor. “Sem receita, os proprietários vão quebrar. A tendência é que a abertura clandestina aumente com o passar do tempo. Estamos proibidos de abrir, mas não existe fiscalização que impeça a nossa abertura. Desse jeito, é inviável. Ou abre todo mundo ou não abre ninguém. Acredito que o mais louvável seja abrir seguindo o protocolo que enviamos”, explica o representante, que ainda exemplifica as despesas que possui com seu estabelecimento fechado.

“Tenho um déficit de R$ 50 mil por mês. Uma coisa é ter uma gordura que te permita suportar por dois ou três meses, mas essa situação se arrasta desde março e ninguém tem mais reserva que suporte essa despesa. E os praticantes querem brincar com segurança. Não tivemos nenhum tipo de ajuda governamental e nenhum tipo de linha de crédito, até mesmo de bancos. Hoje nos defendemos com o próprio bolso. Muitos já fecharam e outros ainda vão fechar”, alertou.

Sem testes nas quadras

Segundo o representante do movimento, o protocolo sanitário enviado ao governo do Estado não aborda a testagem de pessoas que estariam utilizando o local. “É inviável realizar o teste para covid-19 nesse nicho. É muito caro”, explica. Choaib afirma que a circulação momentânea de pessoas dentro das quadras é pequena e os riscos de contaminação não seriam elevados em decorrência da atividade ser praticada ao ar livre e pela consciência dos locatários, que não arriscariam a saúde de seus amigos e familiares. No entanto, Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Unesp, aponta que a abertura desse setor sem a realização de testes é preocupante.

“Os riscos são enormes. Não é possível saber quando estamos infectados com a covid-19. Claro, uma pessoa sintomática deveria ter a consciência de não sair de casa, mas sabemos que não é bem assim. Primeiro que a empatia e o não respeito ao próximo na cultura ocidental em relação a não sair de casa, quando está resfriado, é baixo. Segundo, porque existe a possibilidade muito grande de a pessoa ser assintomática. Vimos com a retomada do futebol profissional brasileiro o quão complexa é essa situação. Há muita contaminação ainda no futebol. Numa atividade amadora, os riscos aumentam”, pondera Naime. O governo do Estado ainda não liberou a volta do futebol não-profissional, com possibilidade de fiscalização, multa e fechamento do estabelecimento.

Empregos indiretos

A locação de quadras não beneficia apenas seus proprietários. Trabalhadores que atuam na realização de campeonatos amadores também aderiram ao pedido. Nesta sexta-feira haveria uma manifestação em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Pualo, mas ela foi adiada. “Há uma gama grande de profissionais que estão parados em decorrência do fechamento das quadras. Queremos que elas sejam reabertas da forma mais segura possível”, disse Marden Soares de Oliveira, diretor da Liga Brasileira das Escolas de Futebol (Libraef).

Aos seu setor trabalham 60 profissionais de arbitragem, outros dez fotógrafos, mais dez pessoas do staff e cinco socorristas. Além deles, trabalham indiretamente fornecedores de materias esportivos, de troféus e profissionais que atuam no estacionamento e lanchonetes dos locais. “Há quem possua outros empregos e consegue sobreviver sem os campeonatos, mas há quem tire 100% de seu sustento desse ramo. Essas pessoas estão mais necessitadas. Estamos fazendo vaquinhas, rifas e buscando cestas básicas para elas”, revelou o diretor.

Diálogo com o Governo

Na manhã desta sexta-feira, uma manifestação do setor estava prevista para acontecer em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo de São Paulo. No entanto, conforme apurou o Estadão, o ato foi adiado devido a evolução das trativas entre o Governo e a classe. Em nota, a Secretaria de Esportes afirmou que o restabelecimento dessa atividade está prevista somente na fase azul do Plano São Paulo.

“Priorizando sempre a segurança da população e o combate à pandemia do novo coronavírus, o Plano São Paulo prevê para a fase azul a retomada de atividades que geram aglomeração, como é o caso das práticas esportivas amadoras e de lazer que ocorrem nos tipos de clube citado, considerando o risco de transmissibilidade da covid-19 nesse tipo de circunstância. Nas fases amarela e verde, qualquer atividade deste tipo poderia representar risco aos próprios atletas, colaboradores e proprietários destes clubes, além de todos os familiares destas pessoas”, afirmou a pasta.

Fonte: Estadão

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