Disney vai demitir cerca de 28 mil funcionários dos parques temáticos

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Em comunicado, a empresa afirmou que cerca de dois terços dos funcionários demitidos são trabalhadores em regime de meio período

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2020 | 18h24
Atualizado 29 de setembro de 2020 | 20h30

Nesta terça-feira, 29, a Walt Disney Company comunicou a demissão de cerca de 28 mil funcionários que trabalham nos parques temáticos, demonstrando a devastação que a covid-19 causou em seu negócio principal. Em comunicado, a empresa afirmou que cerca de dois terços dos funcionários demitidos são trabalhadores em regime de meio período.

Apesar de não dizer exatamente quantos funcionários trabalham atualmente na companhia, estima-se que a Disney empregue cerca de 200 mil pessoas – nesse cenário, as demissões representariam uma redução de 14% da força de trabalho.

Disney

Turistas observam o primeiro dia de fechamento dos parques da Disney na Califórnia, no dia 14 de março deste ano. Foto: David McNew/AFP

“Tomamos a difícil decisão de começar o processo de redução de nossa força de trabalho em nossos Parques, Experiências e Segmento de produtos em todos os níveis”, disse Josh D’Amaro, presidente da unidade de parques, em um comunicado. A Disney reabriu todos os seus parques, exceto a Disneylândia da Califórnia, mas o número máximo de visitantes nesses locais foi reduzido para permitir o distanciamento físico.

“Por mais doloroso que seja tomar essa ação, esta é a única opção viável que temos à luz do impacto prolongado da covid-19 em nossos negócios, incluindo capacidade limitada devido aos requisitos de distanciamento físico e a incerteza contínua em relação à duração do pandemia”, continuou D’Amaro.

Os parques temáticos sofreram um grande impacto, já que o coronavírus limitou ou aniquilou as grandes aglomerações pelo mundo. No trimestre mais recente de abril a junho, a divisão de parques temáticos da Disney teve menos de um bilhão de dólares em receita, após arrecadar quase 7 bilhões de dólares no mesmo período em 2019.

A expectativa era que a reabertura em pleno mês julho, quando é verão nos Estados Unidos, ajudasse a reparar os estragos no caixa. Para a retomada das atividades, a Disney trouxe boa parte dos 100 mil funcionários que haviam sido liberados no auge da pandemia, mas o processo não aconteceu da forma esperada. Devido ao coronavírus, os parques da Disney na Califórnia ainda permanecem fechados. Já os parques da Flórida, reabertos há dois meses atrás, têm apresentado baixo desempenho.

Em uma teleconferência com executivos da companhia em agosto, Bob Chapek, o executivo-chefe da Disneyque anteriormente dirigia a divisão de parques temáticos, reconheceu que as locações da Disney na Flórida não tiveram o resultado esperado quando reabriram em julho. Os parques, segundo ele, passaram por um “nível de cancelamentos acima do esperado”. Em resposta, a empresa reduziu o horário de funcionamento.

Bloqueios

A Disney, em particular, depende necessariamente de viagens de outros Estados. No entanto, as próprias companhias aéreas americanas se preparam para cortar 35 mil empregos nesta semana, com a baixa demanda de passageiros. Em um comunicado na terça-feira passada, a Disney fez mais um apelo ao governador da Califórnia, o democrata Gavin Newsom, que manteve a proibição de grandes aglomerações públicas.

A companhia, então, voltou a culpar o governador pela proibição. “A situação foi exacerbada na Califórnia pela relutância do Estado em suspender as restrições que permitiriam a reabertura da Disneylândia”, disse em comunicado. O comentário, porém, é uma reviravolta no relacionamento entre Newsom e os líderes da Disney no início da pandemia. Apesar das críticas, por um curto período de tempo, Newsom isentou os parques das restrições e disse que eles eram “Estados-nações” ao explicar a decisão.

A Disney tem grande interesse na reabertura dos parques da Califórnia, porque eles não dependem tanto de viagens externas quanto os seus negócios na Flórida. No entanto, o cenário é complicado: Newsom alertou há vários dias sobre outro surto de infecção do coronavírus no Estado e disse que um novo bloqueio de empresas pode ocorrer se as coisas não melhorarem.

Porém, enquanto a companhia tem encontrado resistências nos Estados Unidos, ela tem obtido sucesso em outros países. Os parques de França e China, que continuam abertos, têm registrado um aumento considerável no número de visitantes nas últimas semanas./COM INFORMAÇÕES DE AGÊNCIAS INTERNACIONAIS.

Fonte: Estadão

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