Desemprego atinge o recorde de 14,7% no 1º trimestre e País tem 14,8 milhões em busca de trabalho

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70% dos brasileiros acima de 40 anos já sofreram preconceitos no mercado de trabalho

Resultado é o maior de todos os trimestres da série histórica do IBGE, iniciada em 2012, e significa 880 mil pessoas a mais na procura por uma vaga em relação ao último trimestre de 2020

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2021 | 09h16
Atualizado 27 de maio de 2021 | 13h44

RIO – Em meio ao recrudescimento da pandemia e a ausência do pagamento do auxílio emergencial pelo governo às famílias mais vulneráveis, o Brasil alcançou um recorde de 14,805 milhões de pessoas desempregadas no primeiro trimestre deste ano.

A taxa de desemprego subiu de 13,9% no quarto trimestre de 2020 para um ápice de 14,7% no primeiro trimestre de 2021, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta quinta-feira, 27, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  É a maior taxa e o maior contingente de desempregados de todos os trimestres da série histórica, iniciada em 2012.

O resultado significa 880 mil pessoas a mais em busca de uma vaga em relação ao último trimestre de 2020. Em relação ao mesmo período do ano passado, há 1,956 milhão de pessoas a mais procurando trabalho.

O mercado de trabalho no Brasil vive seu pior momento em mais de um ano de pandemia, confirmou Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

“Aumentar a desocupação no primeiro trimestre de cada ano não é uma situação específica desse ano de 2021, é um comportamento relativamente esperado para esse momento do ano. O que a gente tem é que essa sazonalidade pode estar sendo reforçada pelo acúmulo que a gente vem tendo ao longo de 2020 de uma queda muito significativa de pessoas ocupadas”, disse. “Os que contribuíram para o aumento na desocupação foram as mulheres, pretos e pardos, e, em termos regionais, Norte e Nordeste do País”, acrescentou Adriana.

A população ocupada somou 85,650 milhões de pessoas, 529 mil trabalhadores a menos em um trimestre. Em relação a um ano antes, 6,573 milhões de pessoas perderam seus empregos. A taxa de desemprego só não subiu ainda mais porque a população inativa cresceu a 76,483 milhões de pessoas, 225 mil a mais que no trimestre anterior. Em relação ao mesmo período de 2020, a população inativa aumentou em 9,202 milhões de pessoas.

A estabilidade da taxa de participação – que mostra a proporção de pessoas em idade de trabalhar participando do mercado de trabalho – é o destaque do resultado da pesquisa do IBGE, porque se esperava já um aumento do retorno de inativos à busca por emprego, afirmou o economista Daniel Duque, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV). Ele espera que a taxa de desemprego ainda avance nas próximas leituras da Pnad Contínua, encerrando o ano de 2021 com uma média de 14,8%.

Carteira de Trabalho

No fim de março, o País tinha 14,8 milhões de desempregados. Foto: Agência Brasil

“(A taxa de participação) Está parada desde novembro, as pessoas não estão voltando ao mercado de trabalho. É algo bastante atípico. Está cinco pontos porcentuais abaixo do pré-pandemia”, observou Duque, em relação à taxa de participação de 56,8% no trimestre encerrado em março, mesmo resultado de dezembro.

No entanto, considerando todos os subutilizados, faltou trabalho para um recorde de 33,202 milhões de pessoas no País no primeiro trimestre de 2021. A conta inclui as pessoas em busca de emprego, quem está trabalhando menos horas do que gostaria e poderia, além das pessoas que não estão procurando vaga, mas estão disponíveis para trabalhar, como os desalentados.

“A Pnad retrata um mercado de trabalho enfraquecido, com taxa de desemprego nas máximas históricas. E olhando qualitativamente, uma série de indicadores corrobora essa visão, com desalento também elevado. Não há ocupação suficiente para esses trabalhadores e eles estão perdendo o ímpeto de procurar emprego”, avaliou o economista sênior do Banco ABC Brasil, Daniel Xavier.

Para Adriana Beringuy, do IBGE, o avanço da desocupação e da subutilização é maior atualmente em função da crise no mercado de trabalho provocada pela pandemia.

“É uma conjunção de fatores. No primeiro trimestre, a gente tem a questão tanto da crise em si, que está comprometendo a absorção da mão de obra, e o momento que é propício ao aumento da desocupação”, contou Adriana. “De fato esse primeiro trimestre pode ser visto como um momento bastante desfavorável para o mercado de trabalho”, acrescentou.

Desemprego recorde em 12 Estados

A taxa de desocupação alcançou patamar recorde em 12 das 27 unidades da federação no primeiro trimestre de 2021: Rondônia (11,4%), Tocantins (16,3%), Maranhão (17,0%), Piauí (14,5%), Ceará (15,1%), Pernambuco (21,3%), Alagoas (20,0%), Sergipe (20,9%), Bahia (21,3%), Minas Gerais (13,8%), Rio de Janeiro (19,4%) e Goiás (13,5%). No Estado de São Paulo, a taxa de desemprego ficou em 14,6%.

As Regiões Norte e Nordeste puxaram a piora na média nacional. No Norte, a taxa subiu de 12,4% no último trimestre de 2020 para 14,8% no primeiro trimestre deste ano. No Nordeste, a taxa aumentou de 17,2% para 18,6%. Ambas as regiões registraram os piores resultados da série histórica iniciada em 2012.

Além da desocupação em alta, o emprego existente nessas regiões é mais precário. A taxa de informalidade ficou em 53,3% no Nordeste e em 55,6% no Norte, as únicas regiões com resultado acima da média nacional de 39,6%.

Também houve diferença de gênero na deterioração do mercado de trabalho. Enquanto a taxa de desemprego foi de 12,2% para os homens, houve um avanço para um recorde de 17,9% para as mulheres no primeiro trimestre de 2021.

“Os homens são maioria na ocupação e as mulheres são maioria na desocupação”, lembrou Adriana Beringuy, do IBGE. “A mulher tem rotatividade maior no mercado de trabalho, permanência menor, ela entra e sai mesmo tendo escolaridade maior que a dos homens, em função de cuidados de pessoas, crianças, parentes.”

Por cor ou raça, a taxa de desemprego ficou abaixo da média nacional para os brancos, em 11,9%, muito abaixo do resultado para os pretos (18,6%) e pardos (16,9%).

A taxa de desocupação para as pessoas com ensino médio incompleto foi de 24,4%. Para as pessoas com nível superior incompleto, a taxa foi de 17,5%, mais que o dobro da verificada para quem tem nível superior completo, 8,3%. / COLABORARAM GUILHERME BIANCHINI e THAÍS BARCELLOS

Fonte: Estadão

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