Covid-19: somente grávidas com comorbidades devem ser vacinadas

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A recomendação vem após a morte de uma gestante por trombose, depois de ser imunizada com AstraZeneca

As bulas dos imunizantes da Pfizer e CoronaVac também alertam para a escassez de estudos para a vacinação de gestantes – EBC

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou a suspensão do uso do imunizante AstraZeneca em gestantes, após o registro de trombose seguida por acidente vascular cerebral (AVC) em uma grávida de 35 anos, no Rio de Janeiro, que veio a óbito, depois de ser imunizada com a vacina.

Ainda não há uma orientação do Ministério da Saúde quanto à imunização com a segunda dose em gestantes. Uma nota técnica deve ser publicada nos próximos dias com novas recomendações. Por enquanto, alguns estados já suspenderam a aplicação do reforço.

Por enquanto, segundo determinação da pasta, a vacinação de grávidas e de puérperas será restrita às mulheres com comorbidades e deve ser realizada somente com os imunizantes da Pfizer e CoronaVac, até o fim das investigações acerca da morte da gestante no Rio de Janeiro.

O que dizem as bulas dos imunizantes?

No capítulo “uso na gravidez e lactação”, a bula da AstraZeneca informa que “não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica”, uma vez que “há dados limitados sobre o uso da vacina covid-19 (recombinante) em mulheres grávidas ou mulheres que engravidaram após receber a vacina”.

“Os dados são insuficientes para fundamentar um risco associado com a vacina”, aponta a bula do imunizante.

Os estudos, que foram realizados apenas em animais, já que há esta precaução em estudos clínicos, não foram conclusivos em relação às gestantes.

A Anvisa comunicou que a bula do imunizante é classificada como “Categoria C”. Isso significa que “os dados apresentados até o momento são insuficientes para fundamentar um risco associado com a vacina”.

Nesse sentido, as bulas dos imunizantes da Pfizer e CoronaVac também alertam para a escassez de estudos para a vacinação de gestantes. Em nenhum estudo clínico das três vacinas, por precaução, as gestantes participaram dos testes.

Relação entre AstraZeneca e trombose

Na tarde desta terça-feira (11), o chefe do laboratório de imunologia do Incor e consultor do Programa Nacional de Vacinação, Jorge Kalil, afirmou, durante uma apresentação do Ministério da Saúde, que ainda não está confirmada a relação entre o óbito e a vacinação com a AstraZeneca.

“De forma alguma nós gostaríamos que se tivesse a ideia de que essa vacina causa problemas em mulheres grávidas. Não é assim. Esta vacina pode ter casos de trombose, são casos raríssimos, ocorrem em mulheres em idade fértil e que varia de 1 para 100 mil ou 1 para 500 mil pessoas vacinadas”, afirmou Kalil.

O infectologista e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Marcelo Otsuka, ressalta que a chance de trombose com AstraZeneca deve ser algo em torno de 10 mil vezes menor que a chance de desenvolver trombose usando anticoncepcional.

“Por causa disso deixamos de usar anticoncepcional? Não. Quem pega o coronavírus e tem um quadro grave tem em torno de 10% a 15% de chance de ter eventos tromboembólicos, o que é muito superior do que a vacina provoca”, afirmou à CNN.

Até o dia 4 de março, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) registrou 222 casos de trombose, decorrente da presença de coágulo sanguíneo, entre 35 milhões de vacinados, ou seja, um caso a cada 175 mil imunizados, o que é considerada uma incidência muito baixa.

Um estudo britânico recente, publicado em abril, confirmou que há mais riscos de aparecimento de coágulos sanguíneos cerebrais em pacientes com covid-19 do que entre aqueles que foram imunizados.

De acordo com a pesquisa, a trombose venosa cerebral ocorreu em 39 pessoas dentro de um universo de 1 milhão de infectados. Já os números da EMA mostram que 5 entre 1 milhão de imunizados tiveram trombose.

“O risco de ter um [TVC] após a covid-19 parece ser substancialmente e significativamente maior do que após receber a vacina Oxford-AstraZeneca”, disse Maxime Taquet, do Departamento de Psiquiatria de Oxford, em coletiva de imprensa.

Na mesma linha, John Geddes, diretor do NIHR Oxford Health Biomedical Research Center, disse que a “importância desta descoberta é que ela a traz de volta o fato de que esta é uma doença realmente horrível com toda uma variedade de efeitos, incluindo aumento do risco de TVC [trombose venosa cerebral]”.

Vacinação e pandemia no Brasil

Até às 20h desta terça-feira (11), 36.502.196 pessoas receberam a primeira dose de vacina, o que representa 17,24% da população brasileira. Já a segunda dose foi aplicada em 18.380.678 pessoas, o que equivale a 8,68% da população. No total, foram aplicadas 54.882.874 doses, segundo o consórcio de veículos de imprensa.

Paralelamente, o Brasil registrou 2.311 mortos por covid-19 em um período de 24 horas. Com isso, já são 425.540 mil vítimas do novo coronavírus desde o início da pandemia, segundo o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

Em relação ao número de casos, foram 72.715 infecções registradas nas últimas 24 horas, totalizando 15.282.705 infectados desde o ano passado.

Fonte: Brasil de Fato

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