Centrais sindicais no Rio de Janeiro promovem ato unificado contra desmandos da Nissan nos EUA

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nissanAs centrais sindicais Força Sindical, UGT e CSP Conlutas promoveram ato unificado no último dia 22 de janeiro,  em solidariedade aos trabalhadores norte americanos da fábrica da Nissan no Mississippi (EUA). O protesto foi em frente à concessionária Nissan de Botafogo (Rua Real Grandeza, nº 301, Botafogo, Rio de Janeiro).

Procuradas por dirigentes sindicais do UAW (United Auto Workers), o Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Montadoras de Veículos dos Estados Unidos, sediado em Michigan, as centrais sindicais do Rio de Janeiro estendem seu apoio às reivindicações dos sindicalistas norte-americanos, já que entendem que as ações da Nissan EUA vão contra o Direito Fundamental de Organização Sindical, estabelecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em reunião na sede da UGT em 15 de janeiro, os dirigentes sindicais norte-americanos Rafael Messias Guerra e Virginia Coughln relataram que muitos trabalhadores da Nissan EUA são temporários e sofrem práticas frequentes de racismo e violação dos direitos humanos.

O vice-presidente da Força Sindical RJ, Marco Antônio Lagos Vasconcellos, o Marquinho da Força, e o secretário geral David Antonio de Souza participaram do encontro. “A realidade dos trabalhadores da Nissan no Mississippi é estarrecedora”, afirmou o vice-presidente, Marquinho da Força. “As férias são, no máximo, de 10 dias e as trabalhadoras grávidas contam com apenas 12 dias de licença, após o parto. Não há horário regular de trabalho e é comum que a jornada se estenda, sem pagamento de hora extra. A utilização do banheiro é controlada por um cartão magnético, que não funciona em determinados períodos da jornada. Assim, os trabalhadores ganham ‘gratuitamente’ fraldas geriátricas para os períodos sem acesso ao banheiro. E os poucos trabalhadores que se aproximam do sindicato ou de dirigentes sindicais são chamados para uma conversa reservada e, lembrados da sua condição de pobres e negros, são ameaçados de perder o emprego. É revoltante”, salientou Marquinho da Força.

Para o presidente da Força Sindical RJ, Francisco Dal Prá, é lamentável que um país que se autodefine como “defensor dos direitos humanos e da liberdade” admita, em seu território, que trabalhadores sejam tratados como escravos e sejam vítimas de ações que ferem não só os direitos trabalhistas, mas também os direitos humanos.

Nos EUA, trabalhadores e líderes comunitários exigem que a empresa respeite o processo democrático de sindicalização de seus funcionários, mas a reação da Nissan, até agora, tem sido de intimidação, inclusive com ameaça de demissão e fechamento da fábrica. A campanha por parte dos trabalhadores e líderes comunitários para organizar um sindicato na fábrica da Nissan no estado do Mississipi tornou-se famosa e importante nos EUA e ao redor do mundo. Ela faz parte dos esforços globais de sindicatos norte americanos para reorganizar o movimento operário naquele país e busca unir os trabalhadores da indústria globalmente. Nos EUA, atualmente, 94% dos trabalhadores do setor privado não têm representação sindical e não há, portanto, negociação coletiva.

A Nissan vai investir R$ 2,6 bilhões na construção de uma nova fábrica em Resende, no Sul Fluminense, para o desenvolvimento, produção e lançamento de novos produtos. A previsão é que o parque industrial comece a operar já no primeiro semestre de 2014. A nova unidade vai gerar 2 mil novos postos de trabalho e terá capacidade para produzir até 200 mil unidades por ano, segundo informações da empresa.

A Nissan foi a montadora que mais cresceu no Brasil nos últimos três anos. Além da nova fábrica em Resende, a Nissan possui uma planta instalada conjuntamente com a Renault em São José dos Pinhais/ Curitiba (Paraná). É patrocinadora da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. E o presidente mundial da Nissan, Carlos Ghosn, é brasileiro. Por isso, atos semelhantes ao do dia 22, no Rio, aconteceram também, em São Paulo, Paraná e Minas Gerais, entre junho e outubro do ano passado.

Tais atos levaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a enviar carta ao presidente da montadora japonesa, em outubro do ano passado. Leia a íntegra da carta emhttp://www.institutolula.org/lula-envia-carta-a-nissan-sobre-conduta-anti-sindical-nos-eua/#.UtgL0dJDtx5.

“Se estamos sendo solidários à causa dos irmãos sindicalistas dos EUA, somando forças contra o racismo, práticas que violam a liberdade sindical e até os direitos humanos, ao mesmo tempo estamos alertando os empresários que vão gerir os negócios no Rio de Janeiro para que respeitem as leis trabalhistas vigentes no Brasil. Estamos, desde já, atentos e não vamos tolerar qualquer tentativa de desrespeito”, ressaltou Marquinho da Força.

https://www.facebook.com/facamelhornissan

Fonte: Assessoria de Imprensa Força Sindical RJ

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