1º de maio das centrais une sindicalistas, políticos e artistas

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Neste 1º de Maio de 2020, as centrais sindicais brasileiras, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Central de Sindicatos Brasileiros (CSB), Central Geral de Trabalhadores do Brasil (CGTB, Intersindical e Pública Central dos Servidores, realizaram um evento inovador. Inovador não só por ser virtual, transmitido durante quase seis horas seguidas, mas também por reunir tradicionais adversários políticos, líderes sindicais e artistas, em defesa da democracia e em defesa da proteção sanitária e econômica em meio a pandemia do coronavírus.

Houve manifestações pelo impeachment e pela renúncia de Jair Bolsonaro e projeções sobre o cenário brasileiro pós-pandemia. A live dos trabalhadores terminou às 17h15 com vários artistas cantando O Sal da Terra, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos.

Os presidentes da Força Sindical, Miguel Torres, e da CUT, Sérgio Nobre, defenderam a renúncia do presidente da República.

“O senhor Bolsonaro é um criador de intensas crises políticas e não tem condições de governar e tirar o país desta crise. O melhor caminho é a renúncia”, disse Miguel, pouco antes. Ele lembrou que as centrais têm procurado as instituições e os representantes dos poderes para discutir soluções “que garantam a saúde, a renda, o emprego e os direitos”, enquanto o presidente, com suas ações, expõe a sociedade ao risco de morte.

“Bolsonaro não tem condições de governar o Brasil, não tem estatura pra ser presidente do Brasil”, disse Sérgio, para quem ele não renunciará por não ter “grandeza”. “O fora Bolsonaro precisa ser mais de uma palavra de ordem”, afirmou.

O presidente da UGT, Ricardo Patah, disse que o governo “não consegue dar respostas às necessidades efetivas das pequenas e micros empresas e, principalmente, dos milhões de trabalhadores”.

Para o presidente da CTB, a pandemia agravou uma crise que já existia e terá impacto severo na economia brasileira e mundial. Ele também criticou Bolsonaro: “Afronta a Constituição, agride o STF e o Congresso Nacional. Nestas condições, a luta em defesa da democracia ganha centralidade”.

E o presidente da CSB, Antonio Neto, afirmou que o “gabinete do ódio” ataca a “jovem” democracia brasileira. “Enquanto durar esse governo, continuaremos a sofrer com a doença do desemprego, da desindustrialização e dos juros escorchantes do cartel bancário”, disse Neto.

José Calixto Ramos, presidente da Nova Central também falou sobre a crise causada pela pandemia:

Já o presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, pediu o fim do governo Bolsonaro:

Assim como o secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio:

As falas das entidades incluiu ainda o presidente da Pública, José Gozze.

Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SD-SP), ex presidente da Força Sindical, um dos grandes articuladores dos trabalhadores dentro do Congresso nacional, também deixou o seu recado valorizando a unidade das entidades e iniciativa de seus presidentes em realizar este ato unitário, usando uma nova ferramenta de comunicação.

A programação incluiu uma diversidade de artistas, cantores, intérpretes, depoimentos de desempregados, moradores de rua, trabalhadores que convivem com a pandemia e representantes de entidades. Como o Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a Marcha Mundial das Mulheres, a Associação Brasileira de Imprensa e a Ordem dos Advogados do Brasil, além da Organização Internacional do Trabalho. “Hoje, mais do que nunca, precisamos fazer o diálogo social”, afirmou o diretor da OIT no Brasil, Martin Hahn.

Candidato do PT à Presidência em 2018, Fernando Haddad disse que a tarefa agora, é resistir e “recompor o campo progressista, não apenas impedir o que está sendo feito, mas, revigorado, passar à linha ofensiva”. Candidata a vice na chapa, a ex-deputada Manuela lembrou que há tempo se denuncia os impactos negativos da precarização do trabalho. “Este momento deixa clara a necessidade de reconstrução de um Estado de bem-estar social.” Além disso, acrescentou, “temos de sistematicamente denunciar e apurar o conjunto de crimes de Jair Bolsonaro”. Segundo ela, o país precisa “se livrar” do presidente para retomar o desenvolvimento.

Governadores, ex-presidentes e líderes políticos também deram seus recados

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que “A história nos ensina que grandes tragédias costumam ser parceiras de grandes transformações”, afirmou.

Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou que é preciso união para defender a democracia e a liberdade.

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) disse que Bolsonaro “avilta a cadeira de presidente da República”,

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), também enviou mensagem parabenizando a data.

Assim como o governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel que reafirmou a luta unitária contra o coronavírus.

“O grande indutor do desenvolvimento é o investimento público”, acrescentou o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

Ciro Gomes (PDT) falou em novo projeto de desenvolvimento (“Que possamos ser capazes de organizar a nossa luta e reconquistar os nossos direitos”).

Pelos partidos, também participaram a ex-deputada Manuela D’Ávila, Gleisi Roffmann, presidente do PT, a presidente do PCdoB, Luciana Santos, os presidentes do PDT, Carlos Lupi, e do PV, José Luiz Penna, a ex-candidata Marina Silva (Rede) e os deputados Alessandro Molon (PSB-RJ), Luiz Carlos Motta (PL-SP) e  Valdevan Noventa (PSC-SE). A presença de Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, não se confirmou.

Roger Waters

Quase no final, a esperada “atração internacional”, o cantor inglês Roger Waters, ex integrante da banda inglesa de rock progressivo, Pink Floyd, saudou os trabalhadores nestes “tempos conturbados” e cantou We Shall Overcome (Venceremos, em tradução livre). São os sindicatos, os trabalhadores e as pessoas comuns que vão salvar o mundo, afirmou

Pouco antes, o ator norte-americano Danny Glover havia dito que o Brasil teve recentemente interrompido um processo de transformação social, iniciado por Lula. E finalizou com o bordão “A luta continua” em português.

Para finalizar, a canção O Sal da Terra, na voz de diversos artistas, enfatizou que “vamos precisar de todo mundo” explicitando o espírito de solidariedade, amplitude e de luta pela democracia e pelos direitos dos trabalhadores que marcaram o evento.

 

Fonte: https://radiopeaobrasil.com.br/

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